domingo, 13 de maio de 2012

"Marcelo G. Lima: Postais da Diáspora Estética"


J.R. Osborn

 "Este é um laboratório histórico: Dubai, a cidade da diáspora permanente. "
M.G. Lima

Por mais de cinco anos, Marcelo Guimarães Lima viveu e ensinou em Dubai, uma inusitada cidade global povoada por uma maioria de expatriados. Em 2007, ele começou a compartilhar sua observações críticas e estéticas on-line através do 'Panoptikon' (www.panoptikon.net). Enquanto os arranha-céus brilhantes de Dubai se estiravam para o céu, ele manteve os pés firmemente plantados no chão: desenhando linhas e esboçando figuras que conectam o projeto frenético de desenvolvimento globalizado com a experiência contemporânea de produção artística.



  As observações de Marcelo G. Lima nos lembram que as questões da modernidade em Dubai são também questões estéticas. Entre a ascensão e a queda de fortunas e carreiras econômicas e políticas - a ascensão meteórica de Dubai como uma espécie de  "parque de diversões" da burguesia, o crash econômico global, uma onda de revoluções sociais em rede - a arte persiste em seu ritmo próprio. A autonomia da arte modula um período em que o artefato e o observador circulam um ao redor do outro com uma subjetividade compartilhada. Como uma cidade de monumentos, que brevemente posicionou-se no topo da imaginação mundial, Dubai localiza o enigma. Mas seus reflexos são globais.


 A coleção de escritos que se seguem desloca-se confortavelmente da América Latina para a Europa através da Austrália e além. Estes não se constituem como ditames centralizados do panóptico, mas vislumbres disseminados do núcleo do panóptico. Estas múltiplas reflexões sobre a comunicação artística apontam-nos para uma experiência compartilhada de imaginação, possibilidades e sensibilidade estética. Através de um processo contínuo de busca interior, a posição da diáspora liga os pontos e novas figuras emergem. Embora a bola possa mover-se através do centro do campo, a margem oferece o melhor ponto para observar o jogo bonito.


 Junto ao centro desta coleção, o Dr. Lima introduz  a imaginação como a faculdade comum da arte e da ciência. Ambos os processos moldam nossos inputs sensoriais em uma sequência de significação. A significação é aqui ao mesmo tempo informativa e construtiva, é transformadora tanto quanto  esclarecedora. Marcelo G. Lima está particularmente interessado na significação artística como "a criação da experiência de possibilidade." Seus ensaios demonstram que a visualização da arte pode ser uma experiência do possível.



"De agora em diante toda a arte será mimética de novo, ou não será!"

Pierre Menard



É aqui que podemos vislumbrar uma "teoria da arte" que ressoa em todo o texto (pressupondo, isto é, que afirmações grandiosas como esta ainda podem ser feita, ainda mais expressa da periferia). Como flâneurs turísticos, o Dr. Lima nos guia a partir do Renascimento italiano através das ruas de São Paulo repletas de grafites, desde as minas de ouro do Peru na década de 1920  aos equipamentos e aparelhos banhados a ouro e lustres de cristal do Emirates Palace em Abu Dhabi, das visualizações de dados do século XXI aos desafios políticos contra o conservadorismo dos anos 80. Deixamos o salões barrocos do Louvre e passamos para o ruído de uma movimentada rotatória moderna. Circulando o cruzamento da publicidade e a arte pública, os sinais apontam para o deslocamento do olhar  na pintura dos Emirados Árabes, as vistas do surrealismo fotográfico, a visão libertadora de um trans-humanismo cyborg, e os ecos silenciosos da caligrafia japonesa. Escolhendo uma saída ao acaso, voltamos a uma câmara escura, decorada com os restos estéticos da Dubai industrial.


 Este livro retrata, "imobiliza" um ambiente de mudança, e re-media materialmente a série on-line do Panoptikon. Esses escritos apareceram em formato digital durante o período de 2008-2011. Os posts foram ligados a outras páginas  e reconectados  a partir de outros sites,  adornados por comentários e  posts de usuários. Como entidades digitais, eles continuam a mudar e evoluir em uma ecologia em rede. No entanto, é apropriado que eles também adquiram uma nova vida, e uma nova presença temporal, em forma de livro.


 O livro é um artefato curioso: historicamente significativo, experimentado temporalmente, radicalmente memorável, prematuramente pronunciado morto, revitalizado, reeditado e teimosamente persistente na sua ressurreição. Como as obras de arte, os livros comunicam de forma autónoma na passagem externa do tempo. O livro fornece um portal material para as correntes de significação em movimento que são, paradoxalmente, delimitadas ou agrupadas do mundo em que o artefato reside e circula. Como uma coleção curatorial, este livro destaca seu conteúdo dos fluxos de informação em rede e organiza-os em uma matriz visual. Como uma informativa galeria de arte, que nos permite ver as obras exibidas lado a lado. A justaposição nos apresenta os temas e a paleta com a qual trabalha o Dr. Lima.


 Ao virar estas páginas, adentramos a sua experiência de possibilidade. Somos reposicionados por entre novas sensibilidades de comunicação artística e de tempo hetero-sincrônico. O Dr. Lima enviou-nos um convite para nos juntarmos a ele na diáspora permanente. Estes trabalhos são os cartões postais derrideanos de uma deriva estética. Eles imitam e re-mediam a descoberta artística. Ao fazer isso, eles também registram uma jornada global na qual recentemente (ou há muito tempo) nós embarcamos e cujos destinos possíveis estão ainda para ser imaginados.




JR Osborn é um experimentalista e estudioso da comunicação. Suas pesquisas se concentram na estética do design, as tecnologias de mídia e a cultura visual do Oriente Médio e da África. O Dr. Osborn é Ph.D. em Comunicação pela Universidade da Califórnia em San Diego. Atualmente é professor no programa de Comunicação, Cultura e Tecnologia da Universidade de Georgetown (Washington, DC, EUA). 


O texto acima é a introdução escrita por J.R. Osborn para o volume Heterochronia and Vanishing Viewpoints: Art Chronicles and Essays de Marcelo Guimarães Lima, publicado por Metasenta Publications, Melbourne, Austrália, 2012.

tradução: MALAZARTES
 




quinta-feira, 10 de maio de 2012

Feira Internacional do Desenho 2012: os finalistas




A FID tem descoberto novos talentos e promovido as carreiras de jovens artistas desde 2007. Em 2011 a Feira Internacional de Desenho (Paris) deu boas vindas aos participantes de 22 países. Em 2012, 27 países estão participando. Como é a regra desde 2009, as centenas de trabalhos submetidos para expor nesta quarta edição do FID foram analisadas por um júri internacional de especialistas reconhecidos da arte contemporânea e especialistas em desenho. O voto destes especialistas produziu a seguinte lista de 96 jovens artistas independentes. Muito brevemente, o júri votará novamente para selecionar os 25 expositores da FID 2012: 100 desenhos para o futuro

Dia 15 de Junho, os trabalhos selecionados da Online FID 2012 estarão disponíveis para apreciação e aquisição.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Allotrope 04 “Crítica Não Solicitada”



 ALLOTROPE 01  "LIES"
ISSN  2046-2859



Allotrope 04

solicitação de trabalhos:

Tema : As críticas não solicitadas
editora convidada: Sarah McAvera

Você sente que comentários críticos sobre as artes hoje são excessivamente descritivos e com falta de “criticidade”? Você gostaria de libertar e expressar o seu “instinto crítico”?

O número temático: “Crítica Não Solicitada” de Allotrope convida-o a escrever o comentário que você sente deveria ter sido escrito sobre uma exposição, um evento, ou um conjunto de trabalhos.

As propostas (em idioma inglês) devem ter não mais do que 500 palavras (note que o envio pode ser editado) e todas as imagens que as acompanham devem estar em formato JPEG ou TIFF a 300dpi.

As propostas devem ser enviadas para allotropepress@gmail.com até 22 de maio de 2012.

Sobre a nossa editora convidada:

Sarah McAvera (UK) gosta de envolver o pensamento crítico em uma série de áreas, incluindo a escrita, a curadoria e facilitação. Ela atualmente trabalha para a GoldenThread Gallery (Belfast) como diretora de exposições. Foi membro fundador do Untitled Arts Group. Organizou inúmeras exposições a nível local, nacional e internacional. Escreveu para várias revistas de artes, incluindo o irlandês Arts Review, State of the Art, Circa e Cura. É curadora independente e escritora

www.allotropepress.com



 ALLOTROPE 03
"LIMITS"
ISSN  2046-2859



terça-feira, 8 de maio de 2012

“Components“ no „Projekt Social Media“




Abertura da exposição no dia 11 maio de 2012,
Galerie Farbenklang em Sankt Pölten / Áustria

 

Chegou a hora: "Componentes" está na fase final. 190 mentes criativas do mundo das mídias sociais compõem uma instalação de 5 metros de comprimento na "Galerie Farbenklang" na Áustria. Muito obrigado por todas as contribuições, o apoio e a motivação.

Vejo vocês em breve!

Simone Naumann, diretora do projeto


quarta-feira, 18 de abril de 2012

"Angélica" de Miltinho e Chico Buarque (1977)




Chico cantando Angélica de
Miltinho e Chico Buarque (1977) composta para Zuzu Angel.
Legendas em espanhol. Vídeo inédito, porém sem data.



Quem é essa mulher
Que canta sempre esse estribilho
Só queria embalar meu filho
Que mora na escuridão do mar

Quem é essa mulher
Que canta sempre esse lamento
Só queria lembrar o tormento
Que fez o meu filho suspirar

Quem é essa mulher
Que canta sempre o mesmo arranjo
Só queria agasalhar meu anjo
E deixar seu corpo descansar

Quem é essa mulher
Que canta como dobra um sino
Queria cantar por meu menino
Que ele já não pode mais cantar 



links:
Zuzu Angel

domingo, 8 de abril de 2012

O Bêbado e o Equilibrista - Belen Perez Muñiz - Daniel Maza




Bs As 2006 - Centro Cultural Gral. San Martin. Ciclo Jazzologia.
Daniel Maza -Bass, Fernando Martinez -Drums. 


O Bêbado e o Equlibrista (1979) de João Bosco e Aldir Blanc na interpretação impecável da cantora argentina Belen Perez Muñiz com o baixista uruguaio Daniel Maza em 2006. Belen Perez Muñiz é uma das principais intérpretes de música brasileira na Argentina, formada na famosa casa de espetáculos La Fusa dirigida por seu paí, Coco Pérez, músico de jazz e bossa nova, na convivência com Vinícius, Nana Caymmi, Maria Bethânia, e outros nome da música brasileira nos anos 70 em Buenos Ayres e tambem no Rio de Janeiro onde viveu, como ela explica em entrevista de 2011 que pode ser vista aqui e aqui.

MOVIMENTO DE JUSTIÇA E DIREITOS HUMANOS / Brasil CONVOCA:



MOVIMENTO DE JUSTIÇA E DIREITOS HUMANOS / Brasil CONVOCA:
7 Graves Decisões
sobre a Verdade e a Ditadura

   Dia 12 de abril, quinta-feira, 13h30
    Ato Público pelo Dia do Direito à Justiça no STF em Brasília.

      CONVOCAÇÃO
       
     O Supremo Tribunal Federal julgará na próxima quinta-feira, dia 12 de abril, a ação da OAB sobre o cumprimento da sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos da OEA no caso Araguaia. Na mesma ação decidirão se os crimes de desaparecimentos políticos estão abrigados pela lei de anistia e ficarão impunes.
      
     Este julgamento tem caráter DEFINITIVO e, caso indeferido, NUNCA MAIS nenhuma ação judicial poderá ser aberta no Brasil sobre os crimes da ditadura!
      
     Teremos pelo menos SETE GRAVES CONSEQUÊNCIAS para todo o povo brasileiro:
      
     1) O Ministério Público Federal ficará impedido de abrir ações de investigação sobre os crimes da ditadura no Brasil;
      
     2) O Direito à Verdade ficará prejudicado, pois sua efetividade depende da complementaridade entre as ações dos tribunais e da Comissão da Verdade, como a experiência internacional demonstra;
      
     3) Caso os militares convocados pela Comissão da Verdade fiquem em silêncio, não poderão ser convocados pela Justiça;
      
     4) O Brasil se tornará o paraíso oficial dos ditadores e torturadores do mundo,  pois nossa legislação os protegerá da extradição por crimes que não admitem punição pela lei brasileira;
      
     5) Teremos uma democracia incompleta, pois se reconhecerá que acordos políticos firmados pelos generais há mais de 30 anos restrinjam ainda hoje os direitos humanos dos brasileiros;
      
     6)  O Sistema Internacional de Proteção aos Direitos Humanos será enfraquecido e seremos o único país do continente que não cumprirá a determinação da Corte Interamericana de Direitos Humanos da OEA de anular as leis de anistia das ditaduras;
      
     7) Mais uma vez, em nossa história, os criminosos ganharão a impunidade.
      
      
     O judiciário brasileiro no passado cumpriu um vergonhoso papel ao promover a criminalizarão dos que se opunham à ditadura, segundo a Doutrina e a Lei de Segurança Nacional.
     O judiciário aderiu à "legalidade autoritária" do regime militar, negou o habeas corpus, condenou opositores a prisões que eram verdadeiros centros de tortura e morte.
      
     O Congresso Nacional aprovou a lei da Comissão da Verdade.
     O Poder Executivo tem promovido reparação e as políticas de memória.
      
     É a hora de o Poder Judiciário sair dos palácios de mármore, ouvir o povo e os jovens e respeitar o Direito à Verdade e à Justiça!
       
    Não à impunidade dos torturadores da ditadura militar!
    Pela punição aos crimes de lesa-humanidade, imprescritíveis!
    Pela abertura das ações criminais pelo Ministério Público! 
     
     
    Jair Krischke - Presidente
    Porto Alegre, RS



sexta-feira, 6 de abril de 2012

O país da hipocrisia


Marcelo Guimarães Lima


(30/03)  Ato Contra a comemoração do golpe militar de 64.
Fachada do Clube Militar no Rio de Janeiro com projeção da foto do jornalísta
Vladimir  Herzog assassinado pela ditadura militar


Quando generais de pijama se reúnem para celebrar a ditadura, quando um notório torturador faz ameaças públicas contra jovens militantes que protestaram, em nome de toda a nação brasileira, contra a vergonhosa reunião no Clube Militar do Rio de Janeiro, somos obrigados a perguntar sobre a natureza deste estranho, inusitado regime em que vivemos hoje no Brasil: um estado chamado “de direito” (que se distingue, deste modo, do poder “de fato”, arbitrário e ilegítimo da ditadura) que se permite ser publicamente contestado, achincalhado e ter seus cidadãos caluniados e ameaçados por criminosos que nunca responderam por seus crimes e representantes da ditadura que jamais foram responsabilizados.

O notório torturador, que, como outros torturadores fardados ou não, jamais respondeu por seus crimes passados, deveria hoje ser preso e processado por suas ameaças, seu cinismo que zomba da cidadania, da justiça e do poder do estado democrático. A impunidade deste senhor, a sua arrogância e violência não seriam permitidas em nenhum país regido de fato por princípios legais democráticos. A impunidade dos generais golpistas e torturadores faz da democracia brasileira hoje uma espécie de farsa, como bem viu a turma do Cordão da Mentira, e faz da hipocrisia a nossa “língua franca”.

O poder do estado no Brasil sempre foi seletivo. Retomando a expressão de Chico Buarque, diríamos: o poder de estado no Brasil sempre “falou grosso” com a massa, os “de baixo” e “falou fino” com a elite, os “de cima”. Quando o conluio das elites, que foi de fato (como bem observou Florestan Fernandes) o processo de “re-democratização” no Brasil, varreu para debaixo do tapete os crimes da ditadura penhorou a honra da nação, atrelou ao passado os caminhos do futuro, fez da impostura uma espécie de “modo de ser” nacional.  E que não nos digam que os generais octogenários representam uma espécie já politicamente extinta, e que hoje, aguardando a morte, não fazem mais que expressar grotescamente como na reunião do Circulo Militar, o fato da sua própria irrelevância na vida política brasileira. Foram estes generais de pijama publicamente desautorizados pela autoridade militar da república?
 


Quando a PM do Rio de Janeiro, com sua brutalidade habitual, ataca e fere os manifestantes, a absurda inversão de valores que rege a ação das chamadas autoridades competentes salta aos olhos, pois os que protestam contra a impunidade dos golpistas e criminosos são os verdadeiros guardiões e defensores dos valores democráticos que deveriam conduzir as ações legais e punitivas do estado. 

No período da ditadura, uma parte da juventude brasileira, da qual fazia parte a presidente Dilma Rousseff, foi sacrificada, torturada e assassinada, por rebelar-se com coragem contra os verdugos e opressores da nação. A iniciativa dos jovens no Rio de Janeiro mais uma vez salva a nossa honra como povo: mostram que este não é um país apenas de covardes, hipócritas, desmemoriados e acomodados. Mas neste episódio, e no momento atual do país, é possível identificar também o que poderíamos chamar de uma estranha espécie de “terceirização” da política, na qual o estado se furta à sua obrigação de defesa da ordem democrática, de fazer cumprir a lei e afirmar o espírito da lei face à provocação e o escárnio de golpistas e torturadores de ontem e de hoje. O estado deixa aos cidadãos, aqui os cidadãos jovens, a iniciativa e igualmente o ônus do combate pela memória democrática da nação que, como todos sabem, é parte fundamental desta mesma democracia, ou não teria sentido a iniciativa dos inimigos da democracia brasileira do Clube Militar.





A ditadura calou, prendeu, desapareceu, torturou e assassinou homens, mulheres e crianças, arrochou e humilhou todo um povo e corrompeu a alma da nação. Os generais de pijama, golpistas impunes e os torturadores são uma parte do legado ainda vivo da ditadura militar. Este legado está no nosso cotidiano: na imprensa ideológica e venal, ideologicamente venal e venalmente conservadora, que domina os meios de comunicação de massa no país, na corrupção na vida política, na violência institucionalizada, covarde e brutal contra a população pobre, como vimos recentemente em São Paulo no Pinheirinho por iniciativa do governo e da “justiça” estaduais, na enorme dívida de solidariedade e justiça que o Brasil tem ainda para com o seu povo. 

Contra o legado da ditadura que nos atrela ao passado, que ainda cerceia o caminho de todo um povo, se insurge a juventude. Todo o apoio à juventude que acredita e ousa lutar por um país livre, justo e solidário!





quinta-feira, 22 de março de 2012

Foire Internationale du Dessin / Feira Internacional do Desenho on line 2012

 


Em sua 4 ª edição, a Foire Internationale du Dessin / Feira Internacional do Desenho (Paris) se torna a primeira exposição de desenhos 100% on-line: desenhos para o futuro.

Desde 2007, a FID, dirigida por Serghei Litvin, descobre jovens artistas do desenho e ajuda a lançar as suas carreiras internacionalmente.

"Serghei Litvin foi à caça de novos talentos" Le Monde
"Real rejuvenescimento!" Le Point
"Um tipo completamente novo de exposição" La Tribune de Genève
"Respondendo à crise, FID é minimalista." International Herald Tribune



FID é aberta a estudantes de escolas de arte e jovens artistas independentes:

Aberto para inscrições: de terça a sexta-feira, do dia 13 de Março a 13 de Abril de 2012.



O júri internacional seleciona os jovens artistas.
Os artistas apresentam seus desenhos na feira on-line.
Preço de desenhos: mínimo de 200 € / máximo 400 €.
O artista recebe 70% do preço de venda.
O público vota ("gostei").
A feira será realizada em maio / junho de 2012: onlineFID.com
Vencedores da votação terão exposi
ções em galerias de parceiros internacionais.
Para mais informações: onlineFID.com.



 

quinta-feira, 15 de março de 2012

Manifesto dos Juízes pela Comissão da Verdade


13/03/2012

MANIFESTO DE JUIZES BRASILEIROS


COMISSÃO DA VERDADE


Nós, juizas e juizes brasileiros, exigimos que o país quite a enorme dívida que possui com o seu povo e com a comunidade internacional, no que diz respeito à verdade e justiça dos fatos praticados pela ditadura militar, que teve início com o golpe de 1964.


A Comissão da Verdade, criada por lei, é mecanismo que deve contribuir para melhorar o acesso à informação e dar visibilidade às estruturas da repressão, reconstruindo o contexto histórico das graves violações humanas cometidas pela ditadura militar e promover o esclarecimento dos casos de tortura, mortes, desaparecimentos forçados e ocultação de cadáveres.


Estamos certos, como decidido pela Corte Interamericana de Direitos Humanos, que “as atividades e informações que, eventualmente, recolha (a Comissão de Verdade), não substituem a obrigação do Estado de estabelecer a verdade e assegurar a determinação judicial de responsabilidades”.


Manifestações que buscam cobrir as violações cometidas sob o manto da ignorância são um golpe para os direitos humanos e afrontam o patamar da dignidade humana estabelecido na Constituição Federal e normativa internacional. Todos e todas têm o direito de saber o que ocorreu em nosso país, tarefa que compete à Comissão da Verdade, a ser composta por pessoas comprometidas com a democracia, institucionalidade constitucional e direitos humanos.


Aguardamos que a Comissão da Verdade seja constituída o quanto antes, devidamente fortalecida e com condições reais para efetivação do seu mister.

Jorge Luiz Souto Maior - SP

João Ricardo dos Santos Costa - RS

Kenarik Boujikian Felippe – SP

Alessandro da Silva- SC

Marcelo Semer- SP

André Augusto Salvador Bezerra - SP

Gerivaldo Neiva – BA

Roberto Luiz Corcioli Filho – SP

Aluísio Moreira Bueno - SP



segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

components – creative minds and social media / componentes - mentes criativas e a midia social


Simone Naumann



"componentes" - a idéia


Com "componentes", eu estou coletando retratos, fotos de pessoas criativas ao redor do globo. Todas as fotos são bem-vindas, desde fotos de telefones celulares até fotos profissionais. Através do blog você pode seguir quem já está participando, quem enviou uma nova imagem, e  de que país ou continente são os participantes.



Em abril de 2012, todas as fotos se juntarão numa colagem sobre tela que será exibida pela primeira vez em conjunto com a exposição de arte "Projeto Social Media 31" na Áustria. Você pode participar e enviar sua foto para fazer parte da colagem.



Junte-se ao projeto "componentes", a sua foto digital vai contribuir para a forma final da grande colagem em tela para exposição na Áustria, em maio de 2012. Compartilhe "componentes" em seu perfil no Facebook, no Twitter, e envie um retrato interessante:


E-mail: components@simone-naumann.com


"componentes" - o contexto

Pessoas que crescem em uma pequena aldeia, como eu, aprendem as regras de redes sociais desde a infância. Quem conhece quem? Onde posso obter o quê? Quem sabe tudo e se esquece de nada? Onde interesses semelhantes podem se encontrar e de que modo?

Hoje, esta aldeia - comunidade e’ designada, também, pela denominação de "Mídia Social“.

Conhecer pessoas e encontrar pessoas, estar sempre em contato, trocar informações, descobrir interesses comuns. Hoje, comunicar e estar juntos pode ocorrer em qualquer lugar e a qualquer momento, e de qualquer lugar a qualquer momento.

Comunicação, informação, curiosidade, a arte, a fotografia, a cooperação e a colaboração são os "componentes" que estão unidos neste projeto experimental. Fotógrafos, foto-entusiastas e mentes criativas de todos os cantos do globo, colaborando em forma digital para criar uma exposição física.



"componentes" - a pessoa por trás do projeto




Desde 2009, trabalho como fotógrafa em Munique, Amesterdão e Oslo. Estudei na "Fotoacademie Amsterdam", fiz vários cursos e oficinas como, por exemplo, com o Prof Harald Mante. No momento, estou estudando "Künstlerische Fotografie"/ Fotografia Artistica no "Prager Fotoschule Österreich".

Meu local de trabalho pode de fato ser chamado de "Europa". As pessoas importantes na minha vida pessoal e profissional vivem atualmente em Amesterdão, Oslo, Munique, Viena, Tromsø, Edinburgh, Budapeste, Praga, e em outros cantos do mundo. como  o Brasil e os Emirados Árabes Unidos.

A mídia social mantém nossa rede social.

Fotógrafos estão permanentemente à procura de histórias cativantes, temas e cenas, em todas as culturas. Minha nova rede de pessoas criativas é uma fonte importante e um enorme recurso para mim e para meu trabalho.

Sem estas redes de pessoas maravilhosas e criativas,  o projeto "componentes" não teria sido sonhado, e muito menos iniciado.

Aguardo o nosso encontro através de "componentes".

 Simone Naumann


* Simone Naumann on Xing



quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

“O adversário político pode ser legítimo, o inimigo do povo não é”


Marcelo Guimarães Lima



 “O adversário político pode ser legítimo, o inimigo do povo não é”  a frase é do pesquisador francês Jacques Testar em sua página na internet (leia aqui). O tema do seu artigo é o presidente francês Nicolas Sarkozy e a sua gestão política neoliberal, ou seja, na breve análise de Jacques Testar: autoritária, antidemocrática e antipopular, cujo balanço está sendo feito agora no processo eleitoral em curso na França. Sarkozy favoreceu a “sua gente”, o “1%” que, na França como alhures, em nome da globalização e da “eficiência” privatizaram a riqueza nacional em beneficio próprio e, para manter o status quo que lhes beneficia, alistam os profissionais da “opinião publica” controlada, amestrada, controlam a informação, prostituem (e deste modo destroem) o jornalismo e sua função pública, aviltam as consciências, mercantilizam a cultura e a educação e promovem a crise econômica como oportunidade e meio de reforçar o controle sobre a economia e a sociedade.

Os resultados desastrosos para a maioria da aventura neoliberal do nosso tempo estão à mostra hoje nos EUA, como na Europa. Sarkozy nas pesquisas eleitorais recentes colhe neste momento os frutos do que plantou: a maioria devolve-lhe o desprezo com que foi tratada. Após seu anúncio recente de medidas “fortes” contra a crise econômica que debilita a França e penaliza seu povo, o presidente francês, segundo os jornais, caiu mais nas pesquisas.

Que o poder privilegie certos interesses não é novidade, a novidade é que o faça de modo absolutamente exclusivo. Deste modo, os dirigentes que antes designávamos como adversários políticos são hoje simplesmente inimigos do povo”, afirma Jacques Testar sobre Sarkozy e sua gestão.




Qualquer semelhança com o contexto de repressão policialesca promovida por dirigentes políticos da oposição contra a população pobre no Brasil de hoje, exemplificada em São Paulo por iniciativas recentes do governo estadual, guardadas as óbvias diferenças entre França e Brasil, talvez seja algo mais do que mera coincidência. A chamada “autonomia das forças do mercado”, leia-se: a exploração sem limites das populações, povos e nações, tem como contrapartida necessária a repressão política, o estado de exceção permanente, quando o controle institucional se enreda em suas próprias contradições internas e o convencimento ideológico já esgotou seus recursos. Na França como resultado da crise, no Brasil na disputa pelo controle dos recursos e oportunidades com o crescimento econômico recente.

Confiantes no sua auto- conferida “legitimidade”, convencidos de sua permanência como donos do poder, acostumados com a impunidade, promotores da cultura da dependência e subserviência interna e da violência que caracterizam as relações de poder e relações de classe no Brasil desde tempos imemoriais, dirigentes da direita reafirmam na prática a sua visão “jurássica” da chamada “questão social” como “caso de polícia”. O receituário neoliberal, que corrobora a “democracia” orwelliana dos “mais iguais”, mostra assim sua verdadeira face e esta, à luz do dia se revela como verdadeiramente repugnante. Parte da opinião pública se mobiliza no país e assim mostra, para quem quer ver, a defasagem entre o as estruturas de poder, a visão de mundo e prática política da chamada “elite” e as necessidades novas de um outro país em gestação no seio do velho Brasil dos estamentos, da oligarquia, dos monopólios, da violência antipopular, dos lacaios e viúvos da ditadura militar e dos torturadores impunes e seus herdeiros.

Num passado não muito distante a estratégia da direita no Brasil foi forçar o confronto entre o país do passado e o país novo, entre a oligarquia e as forças populares em desenvolvimento. A história parece querer se repetir com os mesmos velhos protagonistas e suas táticas tradicionais. Uma espécie de “compulsão da repetição” parece caracterizar a direita brasileira e seus representantes frente aos avanços do país novo. A mudança é hoje um processo contraditório, insuficiente mas real no Brasil. Contra esta realidade da mudança, que lhe escapa ao controle, se insurge a direita. O que nos mostra as dificuldades mas, igualmente,  as grandes possibilidades do país novo. A hora é de desafios reais e de possibilidades concretas. Contra o obscurantismo e a violência da oligarquia neoliberal em crise, nosso desafio é construir a inteligência da lutas de hoje junto aos que mostram o caminho lutando.



domingo, 29 de janeiro de 2012

Pinheirinho: nosso retrato.

Marcelo Guimarães Lima



Assistindo a violência absurda e degradante à luz do dia, o primeiro sentimento é de revolta. Mas a dimensão mais e mais absurda e desumana do que presenciamos como que abafa a revolta e surge um sentimento de impotência e a tristeza, uma tristeza profunda, um sentimento de vergonha pelas vítimas, por nos mesmos, por tudo e todos. Vergonha que se estende também aos algozes, estes que não conhecem a vergonha, insensíveis ao outro, violentos, irresponsáveis, a vergonha por toda uma nação emporcalhada pelos “de cima” e seus lacaios, por mandantes e executores que jamais respondem por seus crimes, que não são nunca responsabilizados pela violência que nos infligem, dia e noite, a todos e de todas as formas.

E a tristeza da lugar ao nojo, ao asco profundo à violência dos donos do poder, dos donos do dinheiro, dos donos das nossas vidas, aqueles que fazem a lei com seus bolsos, seus juízes e suas polícias, seus servidores, os parasitas que justificam a opressão da qual se nutrem em nome da “ordem” e da inconsciência mesquinha que os caracteriza.

O Brasil dos feitores e da escravidão, dos generais golpistas e dos torturadores está bem vivo no espírito, no modo de ser e de agir da “elite” e não só na “elite” de São Paulo e seus governantes: está bem vivo no dia a dia das estruturas de poder do país. Pobre país que tem ainda que se ver com os “fantasmas”, os mortos-vivos de sua origem e do seu passado, um passado que teima em subsistir sugando o sangue de todo um povo, que quer quebrar o espirito de um nação que sonha em ser outra: que sonha em ser uma nação nova, que construiu e constrói a duras penas um outro tempo.


Pinheirinho é nosso retrato: o retrato da nossa covardia, da nossa degradação moral, da nossa hipocrisia, da nossa barbárie cotidiana. Pinheirinho é um grito de alerta que, infelizmente, ainda necessitamos ouvir: não é possível construir um país novo sem romper definitivamente com o passado. Não é mais possível conviver com o passado que destrói a esperança, que quer estancar a iniciativa e a capacidade criadora da nossa gente, não é mais possível contemporizar com a injustiça que nos paralisa, que nos desmoraliza, que nos corrói a alma, que nos vilifica, que nos destrói por dentro, que nos degrada a todos.


Que Pinheirinho seja o grito final a nos despertar de um sono profundo que nos tem anestesiado o sentimento moral, a consciência, o sentimento do nosso valor e da nossa dignidade e paralisado a inteligência: um país não se faz contra o seu povo. Contra o seu povo, o Brasil se desfaz e se destrói como nação.












Uma análise do ponto de vista jurídico das justificativas pseudo-legais para a violência exercida contra cidadãos brasileiros pelas autoridades de São Paulo pode ser lida aqui: artigo de Jorge Luiz Souto Maior

domingo, 25 de dezembro de 2011

Boas Festas e Feliz 2012 !!!

Marcelo Guimarães Lima, 
Horizonte (Paisagem Semiótica)
digigrafia, 2011


Aos nossos leitores, visitantes e amigos.



sábado, 17 de dezembro de 2011

ON PAPER exposição na Cuadro Fine Arts Gallery, Dubai, Emirados Árabes Unidos



A exposição ON PAPER (No papel), inaugurada em 13 de Dezembro, apresenta a interação entre a criação de obras figurativas e a natureza subtrativa da abstração. Cuadro Fine Arts Gallery (Dubai, E.A.U.) apresenta os trabalhos de Dale Chihuly, Alex de Fluvia, Marcelo Guimarães Lima e Samer Tabaa. Todos estes artistas destacam-se na exploração da linha por meio do gesto e da action painting (pintura de ação). Apesar de explorar a mesma abordagem, suas formas distintas de ver tornam-se evidentes na execução.

 



 Link: Cuadro Fine Arts Gallery